As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.

Simple  assim.

Simple assim.    Estar sozinho 

Não  é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milênio. As  relações afetivas também estão passando por profundas transformações e  revolucionando o conceito de amor.

O que se  busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual  exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não  mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo  seu bem-estar.IMG_20140630_014741

A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa  felicidade, que nasceu com o romantismo está fadada a desaparecer neste  início de século.

O amor romântico parte da premissa  de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para  nos sentirmos completos.images (34)

Muitas vezes ocorre até  um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais  a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao  projeto masculino.

A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que  eu não sei.  Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal. flores lindas 3

A  palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de  necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não  preciso, o que é muito diferente.

Com o avanço tecnológico, que  exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar  sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas.

Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras.Tudo mudou.

O  outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não  é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de  viagem.

O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou.

Estamos  entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com  egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia  que vem do outro, seja ela financeira ou moral.

A nova forma de amor,  ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa à aproximação de dois  inteiros, e não a união de duas metades.

E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. 

Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.

A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa.

As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem.

Relações  de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado.  Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de  referência para avaliar ninguém.

Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.

Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.

Na  solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só  podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro.

Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O  amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de  ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser  amado.1379516_744456838914045_650760595_n

Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo…

Gostei muito dessa frase: “As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem.”

Enquanto  ficarmos esperando que o outro seja aquilo que sonhamos, a imagem que  criamos de perfeição, nunca seremos felizes. A felicidade de uma  relação, consiste em aceitar e respeitar a pessoa como ela é, com seus  defeitos e qualidades. Se os defeitos te incomodam ao ponto de tornar a  relação um inferno, é hora de você pensar: “opa, acho que não servimos um para o outro!”

Ceder  é essencial, abrir mão de algumas coisas faz parte, mas querer  transformar alguém naquilo que ela não é, nunca vai dar certo.Tudo mudou.

Cortar laços, se lançar a novos desafios dá medo e muitas vezes por isso continuamos numa relação falida e que nos faz sofrer.

Ficar  sozinho nem sempre é ruim. Muitas vezes é o tempo que precisamos para  respirar, reavaliar nossa vida, jogar fora o que está ruim e dar uma  chance de recomeço a si mesmo.

Ai, quando o balanço foi feito,  abra as portas e janelas do coração e deixe alguém entrar…tem sempre  alguém passando do lado de fora!

Dr. Flávio Gikovate.

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